Um observador distante está colhendo frutos da guerra do Irã: o presidente russo Vladimir Putin. O que para o mundo é uma crise de segurança e energética, para a Rússia tornou-se um balão de oxigênio econômico que está financiando diretamente a continuidade da invasão na Ucrânia.
Aumento de receita
Com o fechamento parcial do Estreito de Ormuz e as interrupções nas exportações do Golfo, o preço do barril de petróleo ultrapassou a marca dos 100 dólares nos últimos dias. Para a Rússia, que depende criticamente das exportações de energia, cada dólar a mais no preço do barril representa um bilhete premiado.
Estima-se que a Rússia está arrecadando algo entre 130 e 150 milhões de dólares extras por dia em receitas provenientes da exportação de petróleo. Em apenas duas semanas de conflito, esse lucro inesperado já anula uma parte do impacto das sanções ocidentais impostas desde que a ação de guerra na Ucrânia teve início, em 2022.
Alívio nas sanções
As próprias sanções estão sendo aliviadas. Para conter a inflação global e evitar um colapso energético, governos ocidentais começaram a sinalizar uma flexibilização temporária dos embargos sobre o petróleo russo.
Com isso, o petróleo de Moscou, antes vendido com grandes descontos, agora flui para destinos como a Índia e a China a preços de mercado.
Distração geopolítica
Além do ganho financeiro, Putin beneficia-se de uma mudança de foco. Com os Estados Unidos e Israel concentrados na frente iraniana, o apoio militar e financeiro à Ucrânia enfrenta novos obstáculos políticos e logísticos. A “fadiga da guerra” no Ocidente é alimentada agora pela urgência de conter um incêndio maior no Oriente Médio.
Apenas um “sugar high”?
Apesar da alegria no Kremlin, o benefício pode ser temporário. O aumento dos preços pode resultar numa recessão global, o que eventualmente derrubaria a demanda por energia. Para a economia russa, que enfrenta um déficit orçamentário crescente e inflação interna, o boom do petróleo é visto por muitos como um “sugar high” — um pico de energia momentâneo que não resolve os problemas estruturais de uma economia de guerra estagnada.