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POLíTICA

Como qualificar o debate sobre a jornada 6 x 1

Há 12 dias • por Tadeu Barros
Como qualificar o debate sobre a jornada 6 x 1
Foto: Reprodução/CBIC
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3:15

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho – como o fim da escala 6×1 – tem ganhado espaço no debate público brasileiro. Preocupações legítimas com qualidade de vida, saúde mental e bem-estar dos trabalhadores a impulsionam. Trata-se de um tema relevante e necessário. No entanto, para que essa conversa produza bons resultados, ela precisa ser acompanhada de evidências e de uma análise cuidadosa dos impactos econômicos envolvidos.

Uma nota técnica recém-lançada pelo Centro de Liderança Pública (CLP) com base em estudos recentes mostra que reduzir a jornada sem ajuste proporcional de salários eleva o custo do trabalho por hora, exigindo adaptações das empresas.

Em experiências internacionais, como a de Portugal, houve ganhos importantes de produtividade por hora trabalhada, resultado de menor fadiga e melhor organização do trabalho. Ainda assim, esses ganhos não foram suficientes para compensar integralmente o aumento do custo do trabalho. O país registrou queda de cerca de 1,7% no emprego e retração superior a 3% na produção das empresas afetadas.

Redução no PIB

No Brasil, simulações indicam que uma mudança semelhante poderia gerar impactos relevantes, especial­mente no mercado formal. Setores como comércio, indústria, transporte e serviços seriam os mais afetados. As estimativas apontam para a pos­sibilidade de perda de mais de 600 mil empregos formais e uma redução significativa da produção, com refle­xos no crescimento econômico.

Os números ajudam a dimensio­nar esse desafio. De acordo com a nota técnica do CLP, a redução da jornada poderia levar a uma queda de cerca de 2% na produção do se­tor formal, combinando menos horas trabalhadas e redução do emprego.

Mesmo considerando a presença da informalidade, o impacto agregado não seria desprezível: a estimativa é de uma redução de cerca de 0,7% no PIB total.

Considerando o PIB de 2025, isso significaria uma perda de cerca de R$ 88 bilhões, o que evidencia que decisões dessa natureza têm efeitos macroeconômicos relevantes e duradouros.

Políticas de produtividade

Isso não significa desqualificar o debate sobre a jornada. Ao contrário: significa qualificá-lo. A redução do tempo de trabalho pode ser parte de uma estratégia de desenvolvimento. Mas deve vir acompanhada de políticas claras de aumento de produtividade, investimento em tecnologia, melhoria da gestão e capacitação da força de trabalho. Países que avançaram nesse debate fizeram isso de forma gradual, testada e baseada em evidências.

O risco de tratar o tema apenas sob a ótica do bem-estar, sem considerar seus efeitos econômicos, é aprofundar problemas que o Brasil já enfrenta, como baixo crescimento da produtividade e informalidade elevada. O desafio, portanto, não é escolher entre qualidade de vida e crescimento, mas construir soluções que conciliem ambos.

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