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ECONOMIA

Brasil lidera a instalação de data centers na AL

Mesmo sem incentivos do Redata, medida que caducou, país deve continuar atraindo investimentos

Há 12 dias • por Da Redação
Brasil lidera a instalação de data centers na AL
Data center. Fonte: Vestock/Freepik. Imagem criada por IA
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3:19

O Brasil consolidou sua posição como principal hub de data centers da América Latina em 2025. Segundo um relatório da consultoria JLL, o país começou este ano concentrando cerca de 75% dos novos investimentos nesse segmento no continente.

A potência em megawatts (MW) disponível para o funcionamento de um data center é a medida utilizada pelo mercado para indicar a capacidade instalada em uma localidade. O estudo da JLL registra 596 MW em construção no Brasil e 1.913 MW planejados, apenas no segmento de “colocation” (um dos mais importantes para os usuários). Para efeito de comparação, o estado de São Paulo, principal pólo de data centers no Brasil, contava com 359 MW ao final de 2024. O Rio de Janeiro, com 58 MW.

Porto do Açu

Observam-se movimentos que, até pouco tempo atrás, estavam fora do radar, como projetos de data centers em áreas ligadas à infraestrutura portuária. O caso do Porto do Açu, no norte fluminense, é exemplar. A área dispõe de energia, espaço para expansão e condições para projetos sustentáveis. Por isso, tornou-se estratégica para a economia digital e não apenas para a logística.

Em paralelo ao avanço do setor privado, o governo federal tentou acelerar a instalação de data centers no Brasil por meio do Redata. Criado por Medida Provisória, o programa pretendia atrair data centers sustentáveis para o Brasil. Ele previa isenção ou redução de impostos federais na compra de equipamentos de tecnologia e comunicação. Investimentos em pesquisa e desenvolvimento, uso de energia renovável e eficiência no consumo de água eram as contrapartidas obrigatórias.

Pensamento estratégico

O uso de uma MP impediu que o programa tivesse os efeitos desejados. Em dezembro de 2025, boa parte dos novos projetos para data centers ficou em suspenso, na expectativa de saber se o Congresso o converteria em lei. Não foi o que aconteceu. O Redata caducou no final de fevereiro, sem ser votado pelo Senado.

Ao comentar esse desfecho, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo estuda uma forma de retomar a iniciativa. O fato, porém, é que mesmo sem subsídios o Brasil continua sendo um destino atrativo para data centers, devido à oferta abundante de energia renovável.

Isso sugere que a atenção do setor público deveria se voltar para outra direção, como observa o gestor público Fernando Brigidi, em artigo na edição de março da revista V.

“Megawatts, racks e terrenos são um ótimo começo, mas não definem liderança na economia da IA”, afirma Brigidi. “O valor está nos modelos, no software, na produção de semicondutores, na propriedade intelectual, na integração entre pesquisa, indústria e Estado. Ao não articular explicitamente uma visão estratégica econômica e geopolítica, moderna e com os olhos no futuro, o Brasil subestima seu próprio potencial.”

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